Empresa pretende construir cinco aeronaves e espera realizar o primeiro voo do protótipo até o final de 2027
A Lockheed Martin revelou novos detalhes do Vectis, uma aeronave de combate não tripulada desenvolvida pela divisão Skunk Works para atuar ao lado de caças tripulados, incluindo o F-35.
O projeto, classificado como Collaborative Combat Aircraft (CCA), avançou significativamente desde sua apresentação inicial em 2025. A empresa anunciou que, em vez de construir apenas o protótipo originalmente planejado, produzirá cinco aeronaves, e mantém como objetivo realizar o primeiro voo até o final de 2027.
Um “companheiro” autônomo para caças tripulados
O conceito do Vectis é diferente do de um drone convencional.
A aeronave foi concebida para operar de maneira autônoma ou trabalhar em conjunto com aeronaves pilotadas. Um F-35, por exemplo, poderia atuar acompanhado por um ou mais Vectis, que receberiam comandos e executariam determinadas tarefas durante a missão.
Entre as funções planejadas estão:
- ataques de precisão;
- reconhecimento, inteligência e aquisição de alvos;
- guerra eletrônica;
- operações de combate aéreo;
- missões ofensivas e defensivas.
A própria Lockheed descreve o Vectis como uma aeronave autônoma desenvolvida para missões complexas e para trabalhar em conjunto com o F-35 e futuras plataformas de combate.
Cinco aeronaves em vez de apenas uma
Uma das principais novidades anunciadas pela Skunk Works é a expansão do programa.
A Lockheed originalmente trabalhava em um protótipo. Agora, quatro aeronaves adicionais serão construídas, elevando a frota planejada para cinco unidades.
A estratégia permite realizar mais testes simultaneamente e, segundo a empresa, também ajuda a amadurecer os processos necessários para uma eventual produção em maior escala.
A companhia não revelou quanto está investindo na expansão nem divulgou um preço estimado para a aeronave.
34 pés de comprimento e 38 pés de envergadura
O Vectis terá aproximadamente 10,4 metros de comprimento e 11,6 metros de envergadura.
Seu desenho não possui estabilizadores verticais convencionais, dando à aeronave uma aparência bastante diferente de um caça tradicional.
A configuração sem cauda foi escolhida, entre outros motivos, para reduzir o arrasto e contribuir para o alcance.
Outro detalhe é a posição elevada da entrada de ar do motor. Segundo a Lockheed Martin, essa configuração pode reduzir o risco de ingestão de detritos durante operações em pistas mais rústicas.
O piloto poderá comandar o Vectis à distância
Apesar de ser uma aeronave autônoma, o Vectis não significa necessariamente que o ser humano será retirado do processo.
A proposta é permitir que um piloto de caça controle ou direcione a aeronave utilizando uma interface semelhante a um tablet ou tela sensível ao toque.
Também seria possível utilizar estações terrestres.
O Vectis utilizará a plataforma de comando e controle autônomo MDCX, desenvolvida pela Lockheed Martin. Dessa maneira, o piloto poderá gerenciar o comportamento do “companheiro robótico” sem precisar assumir diretamente cada movimento da aeronave.
A ideia é produzir de maneira mais simples
Outro aspecto interessante está relacionado à fabricação.
Ron Fehlen, responsável pela Skunk Works, comparou o método de montagem do Vectis a móveis prontos para montar.
A ideia é utilizar pontos de montagem previamente posicionados para facilitar o alinhamento das peças e reduzir a quantidade de trabalho necessária durante a fabricação.
O objetivo é tornar a produção mais rápida e potencialmente menos cara.
A Lockheed, entretanto, ainda não revelou quanto custará cada aeronave.
Stealth e autonomia
O Vectis combina duas tecnologias que vêm ganhando importância nos programas militares atuais: baixa observabilidade e autonomia.
O formato da aeronave foi projetado levando em consideração sua capacidade de sobrevivência em ambientes de combate.
A proposta também utiliza uma arquitetura aberta, permitindo que diferentes sistemas e capacidades sejam incorporados ao longo do tempo.
Isso é importante porque uma aeronave autônoma poderá permanecer em serviço por muitos anos, enquanto sensores, computadores, softwares e sistemas de missão evoluem rapidamente.
O F-35 pode ganhar um “ala robótico”
Uma das aplicações mais interessantes seria a utilização do Vectis como uma espécie de ala robótico.
Em uma missão hipotética, um F-35 poderia permanecer sob controle humano enquanto um ou mais Vectis executariam tarefas complementares.
A aeronave não tripulada poderia, por exemplo, realizar reconhecimento, auxiliar na identificação de alvos ou executar uma missão específica enquanto o caça tripulado permanecesse em uma posição diferente.
Esse conceito permite distribuir funções entre plataformas tripuladas e não tripuladas, reduzindo a necessidade de colocar um piloto humano em todas as aeronaves envolvidas na missão.
A tecnologia já vem sendo testada
A Lockheed Martin não está começando do zero quando o assunto é autonomia de aeronaves.
Em testes anteriores, o VISTA X-62A, uma aeronave experimental baseada no F-16, realizou mais de 17 horas de voo controlado por inteligência artificial.
O programa também chegou a testar situações de combate aéreo simulado envolvendo pilotos humanos.
Esses experimentos ajudam a desenvolver tecnologias de autonomia que podem posteriormente ser aplicadas a sistemas como o Vectis.
Ainda faltam muitas informações
Apesar da evolução do projeto, vários detalhes continuam em aberto.
A Lockheed Martin ainda não divulgou publicamente:
- o motor específico;
- o armamento planejado;
- o alcance exato;
- a velocidade máxima;
- o preço estimado;
- um cliente específico;
- a configuração operacional definitiva.
Por isso, algumas características que circulam em representações e análises do Vectis ainda devem ser tratadas como estimativas ou informações não confirmadas pela empresa.
Primeiro voo deve acontecer em 2027
O próximo grande marco será colocar o Vectis no ar.
A Lockheed Martin mantém a previsão de realizar o primeiro voo do protótipo até o final de 2027.
A construção de cinco aeronaves deverá permitir que a empresa avance simultaneamente em testes de voo, desenvolvimento dos sistemas autônomos e amadurecimento da fabricação.
Se o cronograma for cumprido, o Vectis poderá se tornar um dos exemplos mais concretos da transição para uma nova geração de aviação de combate, na qual aeronaves tripuladas e sistemas autônomos trabalham como uma equipe.
O futuro dos caças pode ser uma equipe, não uma aeronave
O conceito do Vectis representa uma mudança importante na maneira como aeronaves de combate podem ser utilizadas.
Em vez de simplesmente desenvolver um novo caça mais poderoso, a proposta é criar uma rede de aeronaves tripuladas e não tripuladas trabalhando em conjunto.
O F-35 continuaria levando um piloto humano, enquanto aeronaves como o Vectis poderiam ampliar as capacidades disponíveis durante uma missão.
Ainda não se sabe quando esse conceito chegará efetivamente ao campo de batalha. Mas, com cinco protótipos planejados e um primeiro voo previsto para 2027, a ideia de um caça humano acompanhado por aeronaves autônomas está deixando de ser apenas uma visão de ficção científica e entrando em uma fase prática de desenvolvimento.





