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Home»Tecnologia»iPhone Duo apresenta relatos de telas quebradas; iFixit aponta possível falha na dobradiça
Tecnologia

iPhone Duo apresenta relatos de telas quebradas; iFixit aponta possível falha na dobradiça

By Kayobrussy Guedes7 Mins Read
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Análise de componentes internos indica uma região de concentração de tensão que pode explicar as rachaduras. Apesar dos problemas, aparelho recebe a maior nota de reparabilidade já atribuída pela iFixit a um dobrável.

O primeiro smartphone dobrável da Apple já enfrenta um problema que pode comprometer a confiança dos consumidores: relatos de telas internas rachadas pouco tempo depois da compra. Os defeitos aparecem principalmente na região da dobradiça e, em alguns casos, são acompanhados por linhas de pixels defeituosos que atravessam o painel.

Os primeiros registros surgiram poucos dias depois do lançamento do iPhone Duo, em 23 de outubro de 2026. Há relatos de aparelhos que apresentaram problemas após poucas aberturas, incluindo um caso em que o proprietário afirmou ter ouvido um estalo antes de perceber o dano na tela.

A situação chamou a atenção da iFixit, especializada em desmontagem e análise de reparabilidade de dispositivos eletrônicos. Após examinar o interior do aparelho, a empresa identificou uma possível explicação mecânica para as falhas.

Dobradiça pode estar pressionando a tela

Em sua análise publicada em 25 de outubro, a iFixit utilizou imagens de tomografia computadorizada, registros da desmontagem, patentes da Apple e um modelo tridimensional da dobradiça para investigar os pontos de maior concentração de tensão.

O resultado apontou uma região particularmente sensível: logo abaixo da passagem do cabo flexível que conecta as duas metades do aparelho, próximo ao suporte central da dobradiça.

Segundo a equipe, vários componentes e superfícies metálicas se encontram nesse ponto, criando uma região em que o suporte da tela pode não ser uniforme durante o movimento de fechamento.

Uma das hipóteses levantadas é que uma barra de sustentação central não recue o suficiente quando o aparelho é fechado. Nesse cenário, a parte curva da tela flexível poderia entrar em contato com a estrutura metálica, concentrando pressão em uma área pequena do painel.

Com o movimento repetido de abertura e fechamento, essa pressão poderia provocar danos nas camadas internas da tela e nas conexões responsáveis pelo funcionamento dos pixels.

A hipótese é compatível com a localização dos defeitos observados em fotografias de aparelhos danificados. Entretanto, a iFixit não demonstrou que esse mecanismo seja a causa definitiva das falhas.

A Apple também não confirmou oficialmente a origem do problema.

Apple reconhece falhas em algumas unidades

Em 26 de outubro, a Apple confirmou ao MacRumors que tinha conhecimento de um problema envolvendo a tela interna de um pequeno número de unidades do iPhone Duo.

Na ocasião, a empresa orientou os proprietários afetados a entrar em contato com o AppleCare para obter uma substituição do aparelho.

A companhia não divulgou quantos dispositivos foram afetados, nem apresentou detalhes sobre a origem do defeito ou uma eventual correção de fabricação.

Em 30 de outubro, novas informações indicaram que a Apple também havia enviado orientações internas às lojas e prestadores de serviço autorizados. Os técnicos receberam instruções para inspecionar os aparelhos com problemas e realizar os procedimentos de reparo ou substituição previstos.

Até 4 de novembro, não havia anúncio de um recall público ou de um programa específico de reparação para todos os proprietários.

Outro cuidado importante na avaliação dos relatos: o MacRumors informou que algumas imagens de supostos aparelhos danificados podem ter sido geradas por inteligência artificial. Isso dificulta determinar a dimensão real do problema apenas com base nas publicações em redes sociais.

Teste de resistência da CNET já ultrapassou 235 mil dobragens

Enquanto os relatos de defeitos levantam dúvidas sobre a durabilidade do aparelho, a CNET está realizando um teste prolongado para avaliar o comportamento da dobradiça e da tela flexível.

Para isso, o veículo desenvolveu uma máquina chamada Fold-a-Phone, capaz de abrir e fechar o dispositivo automaticamente. O equipamento realiza aproximadamente 900 ciclos por hora, permitindo acelerar o processo de desgaste mecânico.

Em 4 de novembro, o teste já havia ultrapassado 235 mil ciclos sem apresentar falhas aparentes na unidade utilizada pela publicação.

O resultado é interessante, mas precisa ser interpretado com cautela. Um aparelho que resiste a centenas de milhares de movimentos não comprova que todas as unidades tenham a mesma qualidade de fabricação. Defeitos pontuais de montagem ou componentes podem provocar falhas mesmo em dispositivos submetidos a condições normais de uso.

Também é importante lembrar que um teste automatizado não reproduz perfeitamente todas as situações do cotidiano, como pressão localizada sobre a tela, impactos e entrada de partículas na dobradiça.

iPhone Duo recebe nota 5 de 10 em reparabilidade

Apesar das preocupações com a durabilidade, a desmontagem revelou aspectos positivos no projeto interno do aparelho.

A iFixit atribuiu ao iPhone Duo uma pontuação provisória de 5 em 10 em seu índice de reparabilidade. É a maior nota que a publicação já concedeu a um smartphone dobrável.

Entre os pontos positivos estão a disposição relativamente organizada dos componentes, a facilidade de acesso a algumas peças e o sistema de remoção das baterias por adesivo eletricamente liberável.

Essa tecnologia permite soltar o adesivo mediante a aplicação de uma corrente elétrica, reduzindo a necessidade de forçar ou dobrar as células durante a desmontagem. Isso diminui o risco de perfuração acidental da bateria.

A moldura ao redor da tela interna também recebeu elogios. Durante a desmontagem, a peça pôde ser removida sem se fragmentar, diferentemente do que a iFixit observou ao desmontar o Galaxy Z Fold 8.

Outro destaque é a possibilidade de acessar componentes como câmeras e placas eletrônicas sem desmontar uma grande quantidade de outras peças.

A Apple também disponibilizou um manual de reparo relativamente cedo, algo importante para técnicos independentes e consumidores interessados em manutenção.

Entretanto, nem tudo é positivo. A tela interna e a dobradiça continuam sendo os componentes mais difíceis de substituir, exigindo procedimentos delicados, ferramentas específicas e bastante tempo de trabalho.

A pontuação da iFixit ainda é provisória, pois a empresa aguardava a disponibilidade de peças de reposição oficiais.

Trocar a tela pode custar US$ 999

O custo de manutenção é outro ponto que merece atenção.

Segundo a análise da iFixit, a substituição da tela interna fora da cobertura de garantia pode custar US$ 999 nos Estados Unidos. Considerando que o preço inicial do aparelho é de US$ 1.999, o reparo representa aproximadamente metade do valor de compra.

A camada externa de proteção com acabamento nanotexturizado, por outro lado, pode ser substituída separadamente, sem a necessidade de trocar todo o painel OLED. Esse serviço custa US$ 49 sem AppleCare, segundo os valores apresentados pela iFixit.

A diferença é significativa e demonstra como a possibilidade de substituir componentes individualmente pode reduzir os custos de manutenção.

Vale ressaltar que esses valores são referências do mercado norte-americano e não devem ser convertidos diretamente em preços de assistência no Brasil, onde impostos, disponibilidade de peças e políticas de serviço podem alterar o custo final.

Um bom projeto de reparo não elimina problemas de durabilidade

O iPhone Duo apresenta uma situação curiosa para a Apple. De um lado, a empresa conseguiu desenvolver um dobrável com algumas soluções internas que facilitam a manutenção. De outro, o aparelho já enfrenta relatos de falhas justamente em uma das partes mais importantes de sua construção: a dobradiça e o conjunto da tela flexível.

A análise da iFixit oferece uma hipótese técnica plausível para os defeitos, mas ainda será necessário acompanhar as investigações da Apple e a experiência de um número maior de consumidores para determinar se existe um problema de projeto ou uma falha restrita a determinados lotes.

Para quem está considerando comprar um dobrável, o episódio também reforça uma questão importante: não basta avaliar a qualidade da tela, a capacidade de processamento ou a quantidade de recursos oferecidos. A durabilidade do mecanismo de dobra e o custo de substituição do painel são fatores que precisam entrar na decisão.

O primeiro dobrável da Apple pode ter avançado em reparabilidade, mas ainda precisa demonstrar que consegue oferecer a confiabilidade esperada de um aparelho que custa quase US$ 2 mil.

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