Pesquisa da Cohesity aponta que 74% das organizações do Reino Unido priorizam a velocidade de recuperação após ataques cibernéticos. Em 70% dos casos, as empresas sequer verificam se os invasores foram completamente removidos dos sistemas comprometidos.
Uma recuperação rápida nem sempre significa que uma empresa está protegida. Esse é o alerta de uma nova pesquisa da Cohesity, que identificou falhas nos processos de resposta a incidentes cibernéticos em organizações do Reino Unido.
O levantamento mostra que muitas empresas estão mais preocupadas em restabelecer seus sistemas rapidamente do que em garantir que o ambiente esteja realmente seguro antes de voltar a operar. Essa estratégia pode abrir caminho para novos ataques, especialmente quando criminosos ainda mantêm algum nível de acesso à infraestrutura da organização.
Segundo os dados divulgados, 74% das empresas britânicas colocam a velocidade de recuperação acima da qualidade do processo. Além disso, 70% não verificam se os invasores foram completamente eliminados dos sistemas comprometidos antes de retomar as operações.
O problema não está apenas na execução dos procedimentos técnicos. A pesquisa também aponta falhas na distribuição dos investimentos e na participação da liderança empresarial nas decisões de recuperação.
Investimentos ainda estão concentrados na prevenção
Outro ponto levantado pelo levantamento envolve a distribuição dos recursos destinados à segurança digital. Cerca de 76% das organizações entrevistadas consideram que seus investimentos em resiliência cibernética estão excessivamente concentrados na prevenção, deixando resposta e recuperação em segundo plano.
Na prática, isso significa que as empresas podem ter firewalls, ferramentas de monitoramento, antivírus e mecanismos de proteção, mas não necessariamente estar preparadas para reconstruir suas operações depois que uma invasão acontece.
O problema também envolve a expectativa da administração. De acordo com os números apresentados pela pesquisa, 52% dos CEOs britânicos esperam que as operações básicas de suas empresas sejam restabelecidas em até 24 horas após um ataque.
Essa expectativa pode ser incompatível com a complexidade de determinados incidentes. Antes de reativar servidores, bancos de dados e aplicações, equipes de segurança precisam investigar a origem da invasão, identificar possíveis mecanismos de persistência dos criminosos, corrigir vulnerabilidades e verificar a integridade dos dados.
Simplesmente restaurar um backup não garante que o ambiente esteja livre de ameaças. Se o invasor ainda tiver acesso à rede ou se uma vulnerabilidade continuar aberta, os sistemas recuperados poderão ser comprometidos novamente.
Falta de definição sobre o que deve ser recuperado primeiro
A pesquisa também chama atenção para a falta de planejamento sobre quais serviços devem voltar a funcionar primeiro depois de um incidente.
A Cohesity utiliza o conceito de Minimum Viable Company (MVC), ou Empresa Mínima Viável, para descrever o conjunto mínimo de sistemas, processos e serviços necessários para manter as atividades essenciais de uma organização durante uma crise.
A ideia é estabelecer antecipadamente quais recursos são indispensáveis para continuar atendendo clientes, processando pagamentos, mantendo a comunicação interna e executando outras atividades fundamentais.
Segundo os números divulgados, 41% das organizações não possuem sequer uma definição própria de MVC. Apenas 17% contam com um planejamento formalizado e efetivamente testado.
A ausência desse planejamento pode dificultar decisões justamente no momento em que o tempo é mais importante. Sem prioridades estabelecidas, departamentos podem disputar recursos de recuperação, enquanto serviços essenciais permanecem indisponíveis.
A divisão de responsabilidades também não está bem definida. Entre os entrevistados, 23% atribuem ao conselho administrativo a decisão sobre quais sistemas devem ser restaurados primeiro. Outros 21% apontam o diretor de tecnologia (CTO), 20% o CEO e 14% um conselho consultivo de segurança.
Restaurar antes de eliminar a ameaça pode provocar uma nova invasão
O vice-presidente da Cohesity para Reino Unido e Irlanda, Fraser Hutchison, alerta que recuperar um sistema sem confirmar a remoção dos invasores pode resultar em uma nova contaminação.
A preocupação é particularmente relevante em ataques de ransomware, nos quais criminosos podem permanecer escondidos na infraestrutura mesmo depois de criptografar arquivos ou interromper serviços.
Uma recuperação segura exige mais do que disponibilizar novamente os dados. É necessário investigar o ambiente, identificar contas comprometidas, revogar acessos indevidos, corrigir falhas exploradas e validar os backups antes de utilizá-los.
A empresa também recomenda que as organizações realizem simulações periódicas de incidentes, envolvendo equipes técnicas, gestores e responsáveis pelas decisões estratégicas.
O que os dados realmente comprovam?
É importante fazer uma ressalva sobre a origem dos números. A reportagem publicada pelo TechRadar em 6 de novembro de 2026 atribui os percentuais de 74%, 70%, 76% e 41% a uma nova pesquisa da Cohesity.
Entretanto, não foi possível localizar uma publicação primária da Cohesity que apresente exatamente esse conjunto de indicadores. Há relatórios oficiais anteriores e mais recentes que ajudam a contextualizar o problema, mas não devem ser confundidos com esses números.
No relatório britânico publicado em novembro de 2025, produzido pela Cohesity em parceria com a Vanson Bourne, foram entrevistados 400 profissionais de TI e segurança do Reino Unido. O documento identificou que:
- 61% realizavam análises forenses completas antes de reativar sistemas.
- 55% verificavam a integridade de dados e aplicações.
- 31% restauravam sistemas sem investigação ou verificação de integridade.
- 30% relataram ter sofrido reinfecção porque as ameaças não haviam sido completamente eliminadas. Cohesity+1
Outro levantamento global da Cohesity, divulgado em setembro de 2026, ouviu 3.200 profissionais de TI e segurança em 12 países. Nesse estudo, 78% das organizações disseram concentrar seus planos de recuperação mais na restauração de sistemas do que na continuidade das operações empresariais. Apenas 22% tinham um planejamento de Empresa Mínima Viável documentado e testado. Cohesity+1
Os dados oficiais do governo britânico também mostram a dimensão do problema: 43% das empresas do Reino Unido relataram algum tipo de incidente ou ataque cibernético nos 12 meses anteriores à pesquisa governamental de 2025/2026. GOV.UK
Portanto, o problema da recuperação insegura é real e aparece em diferentes levantamentos. Entretanto, os percentuais específicos atribuídos à nova pesquisa precisam ser tratados como dados divulgados pelo TechRadar, ainda sem confirmação independente na documentação primária localizada.




