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Home»Mundo»Putin obriga data centers privados da Rússia a reservar 10% da capacidade para o governo
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Putin obriga data centers privados da Rússia a reservar 10% da capacidade para o governo

By Kayobrussy Guedes5 Mins Read
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Russia

Na Rússia decreto presidencial determina que operadores mantenham parte da infraestrutura disponível para uso estatal, com prazo de atendimento de 24 horas e pagamento pelos recursos requisitados.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, assinou um decreto que obriga operadores privados de data centers instalados no país a reservar 10% de suas instalações e capacidade computacional para atender a necessidades de infraestrutura digital do governo. A medida foi oficializada em 2 de novembro de 2026 e estabelece que os recursos poderão ser requisitados pelas autoridades quando houver necessidade de manter serviços e sistemas de informação em funcionamento.

A determinação está prevista no Decreto Presidencial nº 802, publicado no portal oficial de informações jurídicas da Rússia. As empresas afetadas terão até dez dias, contados da entrada em vigor da medida, para cumprir a exigência.

Na prática, o governo passa a contar com um mecanismo para acessar parte da infraestrutura computacional mantida pela iniciativa privada sem precisar construir novos data centers ou assumir o controle das instalações.

Empresas terão 24 horas para liberar capacidade ao Estado

O decreto estabelece que os 10% reservados não precisam permanecer ociosos. Enquanto não houver uma solicitação oficial, os próprios operadores poderão continuar utilizando normalmente os espaços e recursos computacionais separados para essa finalidade.

A liberação, entretanto, poderá ser determinada por uma subcomissão vinculada à Comissão Governamental para o Desenvolvimento Digital. Quando houver uma ordem, os responsáveis pelos data centers terão até 24 horas para disponibilizar a capacidade solicitada.

O documento também prevê remuneração pelos serviços prestados. O valor máximo que poderá ser cobrado pelas empresas será estabelecido pela própria subcomissão, o que significa que os operadores não terão liberdade irrestrita para definir os preços quando atenderem às solicitações governamentais.

O Ministério do Desenvolvimento Digital, Comunicações e Mídia de Massa da Rússia ficará responsável por levantar informações sobre os espaços disponíveis e a capacidade dos centros de processamento de dados existentes no território russo.

A obrigação se aplica aos operadores privados e não deve ser confundida com uma transferência de propriedade. As empresas continuam responsáveis por suas instalações e atividades comerciais, embora passem a estar sujeitas à possibilidade de requisição de parte de seus recursos.

Ataques contra data centers aumentaram a preocupação com a infraestrutura digital

A decisão ocorre em um momento de crescente preocupação com a segurança da infraestrutura tecnológica russa. Durante outubro de 2026, instalações de grandes empresas de tecnologia do país foram atingidas por ataques atribuídos à Ucrânia.

Entre os alvos estavam centros de dados da Yandex, da VK e do Sberbank. Os incidentes provocaram diferentes níveis de impacto, incluindo interrupções em serviços digitais, plataformas de nuvem e sistemas que dependem dessas instalações.

No caso da Yandex, três instalações foram afetadas, segundo informações divulgadas pela agência Interfax. Parte da infraestrutura precisou ser retirada de operação, causando problemas em serviços da companhia e em plataformas que dependiam de seus recursos computacionais.

Os episódios demonstraram como danos físicos a instalações de processamento de dados podem afetar muito mais do que uma única empresa. Quando bancos de dados, serviços de nuvem e aplicações estão concentrados em determinados locais, um ataque pode provocar consequências em diferentes setores da economia.

Nesse cenário, a reserva obrigatória de capacidade pode funcionar como uma forma de ampliar a disponibilidade de infraestrutura em situações emergenciais, embora não elimine os riscos associados à concentração física dos equipamentos.

Rússia não descarta utilizar data centers no exterior

Apesar da exigência de reservar capacidade dentro do território nacional, o decreto também prevê uma possibilidade de utilização temporária de infraestrutura localizada fora da Rússia.

Essa alternativa, entretanto, depende de autorização da subcomissão governamental e de concordância do Serviço Federal de Segurança (FSB), principal órgão de segurança interna do país.

A disposição mostra que Moscou não pretende necessariamente excluir toda infraestrutura estrangeira de seus serviços digitais. O objetivo é manter o controle sobre as condições em que esses recursos poderão ser utilizados.

A questão é particularmente relevante porque a Rússia enfrenta restrições internacionais relacionadas ao acesso a tecnologias, equipamentos e serviços estrangeiros, além das dificuldades provocadas pela guerra contra a Ucrânia.

Moscou também discute projetos internacionais de data centers

A movimentação acontece paralelamente a conversas sobre possíveis investimentos internacionais em infraestrutura computacional.

Em 16 de outubro, Kirill Dmitriev, representante de Putin para assuntos de investimento, afirmou que Rússia e Estados Unidos estavam discutindo projetos conjuntos envolvendo data centers, incluindo instalações que poderiam utilizar energia de pequenas usinas nucleares.

A declaração foi divulgada pela Reuters, mas não representa um acordo definitivo nem confirma a construção de instalações desse tipo.

A possível utilização de energia nuclear chama atenção porque data centers modernos, especialmente aqueles destinados à inteligência artificial, exigem grandes quantidades de eletricidade para alimentar servidores e sistemas de refrigeração.

Com o novo decreto, a Rússia busca ampliar sua capacidade de resposta a problemas envolvendo a infraestrutura digital, utilizando também recursos mantidos por empresas privadas. A medida reforça o papel do Estado na administração de serviços tecnológicos considerados estratégicos e estabelece novas obrigações para o setor privado.

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